Tapati
Todo ano, nas duas primeiras semanas de
fevereiro, o movimento de visitantes à Ilha de Páscoa atinge seu pico. Nesse período, os nativos lembram sua história e evocam antigas tradições
numa grande festa popular conhecida como Tapati, com a participação de todos os
seus quase 3 mil habitantes. O objetivo final é a eleição da jovem rainha, que recorda
a antiga escolha da virgem oferecida ao Tangata Manu, o homem-pássaro.
As equipes das candidatas passam por várias provas esportivas e culturais, como a
exibição de grupos de dança folclórica, concursos de pintura corporal e disputas entre
artesãos para a escultura de pequenos moais. As provas, que acontecem em várias partes
da ilha, permitem ao turista conhecer os sítios arqueológicos ao mesmo tempo em que
observa a evolução das festas populares. Uma das provas mais empolgantes
acontece nas bordas do vulcão Rano Raraku, onde jovens disputam uma espécie de
triatlon que une a travessia a nado do lago vulcânico, voltas completas na cratera e uma
corrida com pés descalços e dois enormes cachos de bananas nas costas. Tapati significa semana em rapanui, mas a festa já
dobrou sua duração inicial. Ela reúne num só período diversas festas, que no passado
eram realizadas ao longo do ano de acordo com o calendário astronômico e a passagem das
estações. Com a chegada do cristianismo, no final do século passado, as manifestações
pagãs foram proibidas pelos missionários. Os rapanui viraram fervorosos católicos, mas
a maioria ainda divide, privadamente, as crenças dos seus antepassados. Não é um acaso,
portanto, a introdução do Tapati no período carnavalesco, quando abranda a
rigidez do catolicismo. Provas desse sincretismo podem ser observadas nas imagens sacras
da própria igreja da ilha, a maioria tatuada com figuras do homem-pássaro.
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